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quarta-feira, 26 de maio de 2010

Soneto de Meditação

O efêmero. Ora, um pássaro no vale

Cantou por um momento, outrora, mas

O vale escuta ainda envolto em paz

Para que a voz do pássaro não cale.

 

E uma fonte futura, hoje primária

No seio da montanha, irromperá

Fatal, da pedra ardente, e levará

À voz a melodia necessária.

 

O efêmero. E mais tarde, quando antigas

Se fizerem as flores, e as cantigas

A uma nova emoção morrerem, cedo

 

Quem conhecer o vale e seu segredo

Nem sequer pensará na fonte, a sós...

Porém o vale há de escutar a voz.

 

                                                          Vinícios de Moraes

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